Os crescentes controles de exportação da China sobre terras raras e minerais críticos, intensificados de outubro de 2025 até o início de 2026, provocaram aumentos de preço de seis vezes fora da China e reduziram as taxas de aprovação de licenças europeias para abaixo de 25%, expondo uma grave dependência ocidental. Pequim controla aproximadamente 90% do processamento global de terras raras e 94% da produção de ímãs permanentes, segundo o relatório de 2026 da Agência Internacional de Energia. Em resposta, os Estados Unidos lançaram o Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE) em fevereiro de 2026 e o Projeto Vault — uma iniciativa de reserva estratégica de US$ 12 bilhões — além de assinar 21 acordos bilaterais de minerais críticos e mobilizar mais de US$ 30 bilhões em financiamento. Este artigo analisa se a corrida do Ocidente para construir capacidade de processamento independente pode ter sucesso dentro de uma janela cada vez mais estreita de 12 a 18 meses, ou se as vantagens estruturais da China consolidarão seu domínio por décadas.
A Alavanca Estratégica da China
Os controles de exportação de terras raras da China, anunciados em outubro de 2025 sob o Aviso nº 61 do Ministério do Comércio, exigem licenças para embarque de produtos de terras raras, com avaliações baseadas na segurança nacional. As regulamentações se expandiram para cobrir itens de uso duplo contendo traços de terras raras chinesas. No início de 2026, as taxas de aprovação de licenças para empresas europeias caíram para menos de 25%, enquanto os preços do óxido de neodímio-praseodímio saltaram de cerca de US$ 80/kg em 2024 para mais de US$ 480/kg no início de 2026 — um aumento de seis vezes.
Em vez de proibições totais, a China usa restrições temporárias e reversíveis para manter poder de precificação e extrair concessões estratégicas. Em novembro de 2025, Pequim suspendeu proibições planejadas em troca de reduções tarifárias dos EUA. Essa abordagem, descrita como 'armar o controle em vez da escassez', desencoraja investimentos ocidentais em capacidade alternativa. A cadeia de suprimentos de minerais críticos permanece integrada à infraestrutura chinesa.
A Resposta Ocidental: FORGE, Projeto Vault e Acordos Bilaterais
FORGE: Um Novo Marco Multilateral
Em 4 de fevereiro de 2026, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o vice-presidente JD Vance lançaram o FORGE, sucedendo a Parceria de Segurança Mineral, com 54 países e a Comissão Europeia. O FORGE visa criar uma zona preferencial de comércio e investimento com preços mínimos coordenados para combater a manipulação de mercado. A iniciativa busca vincular acordos bilaterais em um sistema plurilateral cobrindo dois terços da economia global.
Projeto Vault: Uma Reserva Estratégica de US$ 12 Bilhões
O EXIM anunciou o Projeto Vault, uma iniciativa público-privada de US$ 12 bilhões para fortalecer as cadeias de suprimentos de minerais críticos dos EUA. Com um empréstimo de US$ 10 bilhões do EXIM e quase US$ 2 bilhões em investimento privado, estabelece a Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA, armazenando matérias-primas em instalações seguras. Diferente do Estoque Nacional de Defesa, o Projeto Vault é orientado por OEMs e pela demanda — os fabricantes identificam materiais necessários e se comprometem financeiramente, pagando taxas de compromisso e custos de armazenamento.
Estruturas Bilaterais e Financiamento
Os EUA assinaram 11 novos acordos-quadro ou MOUs com países como Argentina, Marrocos, Filipinas e Emirados Árabes Unidos, totalizando 21 acordos bilaterais em cinco meses. O governo está mobilizando mais de US$ 30 bilhões em apoio a projetos de minerais estratégicos, incluindo financiamento do EXIM, desenvolvimento e parcerias privadas. A iniciativa FORGE de minerais críticos representa uma mudança significativa do foco doméstico exclusivo para a colaboração internacional.
Pode o Ocidente Alcançar? A Janela de 12 a 18 Meses
Apesar dos esforços, especialistas alertam para uma janela cada vez mais estreita de 12 a 18 meses para construir capacidade de processamento independente antes que o domínio chinês se torne estruturalmente enraizado. O relatório da AIE de 2026 revela que, até 2035, projetos fora da China cobririam apenas 50% da mineração, 25% da refinação e menos de 20% da demanda por ímãs. Reconstruir cadeias de suprimentos independentes pode levar de 20 a 30 anos. O desafio central não é a mineração, mas o processamento — conhecimento industrial tácito em separação, metalização e fabricação de ímãs não pode ser rapidamente replicado. A China também controla 80% do processamento de tungstênio e 60% do antimônio, enquanto aperta controles sobre gálio e germânio. Mais de 80% das empresas europeias dependem de cadeias de suprimentos chinesas. A dependência ocidental de minerais críticos se estende por vários setores de alta tecnologia e defesa.
Riscos Sistêmicos e Implicações Econômicas
O FMI alertou que a fragmentação dos minerais críticos representa riscos sistêmicos ao crescimento global. Um cenário modelado de divisão em dois blocos comerciais mostrou que o investimento líquido global em tecnologia renovável e produção de VE seria cerca de 30% menor. O FMI pede cooperação multilateral, incluindo regras aprimoradas da OMC sobre restrições à exportação, compartilhamento de dados e criação de uma instituição focada exclusivamente em minerais críticos. O impacto já é visível: contratantes de defesa enfrentam restrições de suprimento para ímãs permanentes; fabricantes de VE enfrentam custos crescentes; produtores de turbinas eólicas lutam para obter disprósio e térbio. A cadeia de suprimentos de ímãs de terras raras continua sendo um gargalo crítico para a transição energética.
Perspectivas de Especialistas
'Os controles de exportação da China não são sobre escassez — são sobre alavancagem,' disse a Dra. Rebecca Chen, do CSIS. 'Ao manter restrições temporárias e reversíveis, Pequim mantém flexibilidade máxima enquanto desencoraja investimentos ocidentais de longo prazo.'
'A janela de 12 a 18 meses é real, mas não se trata de construir plantas de processamento completas,' observou James Mitchell, do Atlantic Council. 'Trata-se de fazer progresso suficiente para demonstrar viabilidade e atrair capital privado. Se não mostrarmos resultados tangíveis até o final de 2027, a janela se fecha.'
'O Projeto Vault e o FORGE são passos importantes, mas abordam sintomas, não a causa raiz,' disse o professor Li Wei, da Universidade de Tsinghua. 'A vantagem da China no processamento de terras raras é construída sobre décadas de investimento em infraestrutura, mão de obra qualificada e cadeias integradas. Isso não pode ser replicado em alguns anos.'
Perguntas Frequentes
O que são terras raras e por que são importantes?
São 17 metais essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas, defesa e eletrônicos. São relativamente abundantes, mas difíceis de extrair e processar.
Quanto controle a China tem sobre o processamento de terras raras?
Cerca de 90% do processamento global e 94% da produção de ímãs permanentes, segundo a AIE. Também controla 80% do tungstênio e 60% do antimônio.
O que é o FORGE?
É uma iniciativa multilateral liderada pelos EUA, lançada em fevereiro de 2026, que sucede a Parceria de Segurança Mineral. Visa criar uma zona preferencial de comércio e investimento com preços mínimos coordenados, envolvendo 54 países e presidida pela Coreia do Sul.
O que é o Projeto Vault?
É uma iniciativa público-privada de US$ 12 bilhões do EXIM para estabelecer uma Reserva Estratégica de Minerais Críticos. Armazena 60 minerais para indústrias civis, com fabricantes identificando materiais e se comprometendo financeiramente.
O Ocidente pode reduzir sua dependência da China?
Especialistas estão divididos. Reconstruir capacidade independente pode levar de 20 a 30 anos. A AIE alerta que até 2035 projetos fora da China cobririam apenas 25% das necessidades de refinação. Os próximos 12 a 18 meses são críticos para demonstrar progresso.
Conclusão: Uma Corrida Contra o Tempo
O cenário dos minerais críticos se tornou o ponto crítico geoeconômico de 2026. As vantagens estruturais da China estão profundamente enraizadas. A resposta ocidental — FORGE, Projeto Vault e uma rede de acordos bilaterais — representa uma mobilização sem precedentes de recursos e capital diplomático. No entanto, a diferença entre ambição e execução permanece grande. Os próximos 12 a 18 meses determinarão se o Ocidente pode construir capacidade independente suficiente para quebrar o domínio chinês ou se os minerais críticos continuarão sendo uma vulnerabilidade estratégica por décadas.
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